Nosso Rio Guri

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sábado, 22 de agosto de 2009

Arroio Araçá na memória da Comunidade Quilombola de Canoas.

Relatório de uma comunidade negra em Canoas/RS - Chácara das Rosas: o ontem e o hoje de uma luta quilombola - Projeto FAURGS - INCRA/2006.
Elsa Avancini, professora, Doutora em História, estuda a situação dos quilombolas no Brasil, e em Canoas sobre a Chácara das Rosas, fala em entrevista da relação desta comunidade quilombola com o Arroio Araçá.
"Enquanto um bairro nobre vai se constituindo numa zona até poucos anos esquecida em Canoas, uma comunidade quilombola ali estabelecida aumenta sua luta por reconhecimento do seu espaço e dos seus direitos. É a comunidade Chácara das Rosas. A IHU On-Line entrevistou, por telefone, a professora Elsa Avancini, que estuda a história do Brasil e da África e a situação dos quilombolas no país e, há alguns anos, apoia a Chácara das Rosas, que está quase finalizando, com sucesso, o processo de reconhecimento e titulação de suas terras. "
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IHU On-Line – Como a senhora define a relação que os quilombolas têm com a terra? É uma relação semelhante a que os índios têm?
Elsa Avancini – Essa questão já foi pensada no Brasil através do Instituto Nacional de Reforma Agrária que, quando conduziu o reconhecimento das comunidades quilombolas e estabeleceu os decretos para o estabelecimento dessas comunidades, reconheceu aos indígenas as terras necessárias para sua sobrevivência e para produção de sua sobrevivência. Às vezes, as comunidades urbanas não têm mais como reivindicar em torno, pois o quilombo já está todo balizado pelas construções, pelo bairro que já avançou. Em outros lugares, as terras onde as comunidades vivem são necessárias a sua sobrevivência econômica. Essa interpretação me parece válida, não há por que termos uma legislação para os indígenas e outra para os quilombolas.
Em março de 2008, tínhamos no RS 182 comunidades identificadas e com 35 processos abertos, ou seja, há uma grande quantidade de comunidades aqui no estado. A Constituição de 1988 e o decreto 4887 permitiram que essas comunidades procurassem auxílio. Como elas não tinham apoio algum, as comunidades pobres e negras iam aos cartórios, onde eram mandados de uma repartição a outra, e não conseguiam reconhecer seu espaço. Isso tornou a luta muito mais difícil.

IHU On-Line – Como o meio que os quilombolas buscam construir pode ser um exemplo da ecologia dos saberes e da participação popular?
Elsa Avancini – Em especial, a comunidade Chácara das Rosas, onde eu fiz entrevistas, tem uma memória do meio ambiente local muito intensa e bonita, relembrando traços do espaço que hoje são diferentes. Hoje, essa área é urbanizada, e os arroios, em parte, estão canalizados. Por outro lado, essa mesma comunidade tem participado do projeto Arroio Araçá, Nosso Rio Guri, além de ajudar nas ações de limpeza do arroio e participar no sentido de preservar o meio ambiente, a fauna e flora da cidade.
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Para ler a entrevista na íntegra acesse Rede de Educação Cidadã:

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