segunda-feira, 7 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
ARROIO ARAÇÁ e o PAMPA GAÚCHO
O espaço natural é o resultado e, ao mesmo tempo, condição da reprodução social. Que tipo de violação de direitos há aí? Quais violências com a vida natural realizamos? O presente artigo procura descrever a paisagem inicial de Canoas dentro do bioma pampa e mostrar o que ainda resta dela dentro do espaço urbano atual, na tentativa de sensibilizar a sociedade canoense, pois, depois que o ecossistema local estiver totalmente destruído não teremos mais o que recuperar.
"Nossos olhos já estão tão acostumados à paisagem local, que perdemos a sensibilidade para enxergar os detalhes da grande riqueza que nos cerca. Riqueza que estamos perdendo ao adotarmos sistemas de produção e culturas incompatíveis com nossa realidade ambiental e climática". Enga. Agra. Eridiane Lopes da Silva Chefe da APA do Ibirapuitã/ICMBio/RS
O Bioma, conjunto de ecossistemas de mesmo tipo, em nossa região é denominado de Pampa. Ele estende-se por boa parte do Rio Grande do Sul, seguindo pela Argentina e pelo Uruguai. Também chamado de Campos Sulinos é um Bioma único no mundo. Em nenhum outro lugar do planeta são encontradas as espécies de plantas e de animais e, também, as expressões sócio-culturais das populações associadas a ele. A principal característica do pampa é sua cobertura vegetal rasteira que forma campos planos ou ondulados por coxilhas, tendo a participação de capões cuja vegetação mais densa, arbustiva e arbórea, se localiza ao longo dos cursos d’água.
O relevo gaúcho é bastante variado, com planalto ao norte, depressões no centro e planícies costeiras. A cidade de Canoas localiza-se na área da Depressão Central tendo as Coxilhas como características. Coxilha é uma colina localizada em regiões de campos, podendo ter pequena ou grande elevação, em geral coberta de pastagem.
“O solo canoense é formado por várzeas e coxilhas areníticas do sistema da campanha bordejam a cidade e são revestidas de capões e campos limpos. Predominam solos derivados de sedimentos aluviais recentes, mal drenados, ácidos, pobres em nutrientes e bastante influenciados pela presença de água. Foram famosos os capões nativos que outrora fizeram de Canoas bela e preferida estação de veraneio. Constituídos geralmente de aroeira, cedro, louro, guajuvira e outras espécies, a vegetação classifica-se em: campestre, silvática e palustre. Com o intenso desenvolvimento industrial, Canoas teve sua vegetação original alterada. Atualmente a superfície de Canoas apresenta poucas áreas de vegetação nativa. Em 1892, o cientista sueco Lindmann classificou a região como "Savana com raros capões". A paisagem de Canoas tranformou-se com a ação do homem e os capões deixaram de existir para dar origem as áreas urbanizadas e industriais, restando alguns deles como o Capão do Corvo, transformado no Parque Getúlio Vargas.”
http://pt.wikipedia.org/wiki/Geografia_de_Canoas
Imaginemos a paisagem que Francisco Pinto Bandeira deparou-se ao chegar por aqui. Uma área com planícies inundadas (banhados) e terrenos planos entre relevos coxilhados. O estabelecimento de sua estância como primeiro núcleo social na região culminou na criação de nosso município. Para construir a sede de sua fazenda escolheu uma das áreas altas da região: a Colina do Abílio. Hoje é a entrada da cidade através da rua Santos Ferreira, Bairro Estância Velha, chegando por Cachoeirinha. Chamada inicialmente de Capão das Canoas, era uma área constituída de cobertura vegetal de gramíneas, que favorecia a atividade pastoril, base da economia dessa época, associada à mata ao longo dos cursos d’água: os Capões. Num destes capões, onde hoje é o Bairro Niterói, o marido e o filho primogênito da neta de Pinto Bandeira - dona Rafaela - são mortos a tiro durante a Revolução Farroupilha. Também, entre outro destes capões, corria livre o arroio Araçá, que, com a morte de Dona Rafaela, dividia suas terras entre os herdeiros.

Atualmente as colinas e capões estão desaparecendo na urbanização. A rua Açucena, por exemplo, entre a rua Santos Ferreira e avenida Boqueirão, corta uma das antigas colinas, hoje coberta pelo asfalto.
Na foto, ao lado esquerdo, pode-se observar parte das árvores ligadas ao Capão do Corvo, fundos do Parque Getúlio Vargas. Até quando teremos esta paisagem? As alterações vêm com o tempo influenciando no meio ambiente, modificando a cadeia biológica e atingindo a fauna e a flora. A rua Santos Ferreira, a antiga Estrada da Aldeia, surgiu do caminho dos tropeiros que, vindos de Gravataí, passavam pela Colina do Abílio, indo até a estação ferroviária e Rio dos Sinos. Tem o nome do marido de uma das bisnetas de Pinto Bandeira, que herdou esta parte das terras. Esta área marca a parte mais alta da cidade onde se localiza os cemitérios e uma das nascentes do Arroio Araçá: A Fonte Dona Josefina em terreno de forte declive, que serviu antigamente de descanso para os tropeiros e seus animais, pois encontravam ali água pura e cristalina. Com seu crescimento Canoas foi se reestruturando conforme pode se observar na noticia abaixo, onde o Araçá é chamado de canal
domingo, 23 de maio de 2010
Pela permanência das feições naturais dos arroios
É um processo necessário, urgente e contínuo.
http://habitantesdoarroio.blogspot.com/search?updated-max=2009-07-27T13%3A56%3A00-03%3A00&max-results=45
...as negociações quanto ao solo urbano são mediadas pelo Município, pela Prefeitura. Ainda hoje, o direito a um saneamento adequado, e as obrigações quanto à destinação correta de efluentes são colocadas a partir de leis federais, enquanto que a gestão deste saneamento cabe ao município. Vemos se processar contemporaneamente esta lógica inversa em muitas cidades do Brasil, atingidas por cheias: a situação de emergência, de calamidade pública convoca o Governo Federal a tomar medidas para remediar a tragédia, os prejuízos. São certamente negociações políticas, mas pode-se também perguntar qual o papel dos demais atores nesta interdependência. Certamente, o reconhecimento desse processo de impermeabilização do solo por parte de quem volta seus projetos de construção para as regiões em torno dos arroios é fundamental, do empresário da construção civil, passando pelo futuro morador de um prédio, até o morador que constrói sua casa com a ajuda de sua rede de vizinhança.
...dessa luta contra a água e as áreas naturais no processo de urbanização que marca a memória ambiental de muitas cidades..., como inverter essa lógica conquistada do concreto sobre a terra a água? Sanear não é necessariamente “limpar”, mas a oposição entre a limpeza e a sujeira, como nos ensina a Antropologia, nos convoca a repensar a ordem do universo, a forma como ordenamos esse arranjo de moradas, avenidas e arroios.
Na alternativa contemporânea, de “renaturalizar” arroios no mundo inteiro,...não é mais necessário canalizar, “enterrar” arroios na cidade...
...novas possibilidades se apresentam contemporaneamente. A virada possível no saneamento contemporâneo é a necessidade de manter, ao longo dos arroios, a mata nativa, a vegetação constantemente cuidada, espaços largos onde a água da chuva que transborda possa ser absorvida. Ainda que se possa construir muros de contenção, diques e outras soluções, a permanência da feição “natural” do arroio, sua inserção no conjunto das obras das vias urbanas, dos espaços destinados à construção civil é fundamental, ou seja, uma nova urbanização se configura neste sentido. Pode não parecer, mas é um arroio...
O arroio Dilúvio, também conhecido como riacho Ipiranga, percorre uma extensão de 17,6 km da nascente, no município de Viamão, até sua foz no lago Guaíba, em Porto Alegre. O seu leito original, antes de ser canalizado em um trecho do seu curso (Av. Ipiranga), corria no Centro da cidade pelas atuais Rua da República, João Alfredo, Décio Martins Costa, Travessa do Pesqueiro, entre outras. Desaguava perto do Gasômetro, passando embaixo da Ponte de Pedra.
Segundo o blog Habitantes do Arroio (http://www.ram2009.unsam.edu.ar/GT/GT%202%20%E2%80%93%20Pr%C3%A1cticas%20y%20Saberes%20Territoriales%20Conflictos%20y%20Din%C3%A1micas%20de%20Apropiaci%C3%B3n%20Cultural%20del%20Ambiente/GT02_PONENCIA%5BDEVOS%20et%20alli%5D.pdf), “até a década de 50, o arroio Dilúvio apresentava águas limpas. Ganhou esse nome porque costumava invadir os bairros vizinhos, como Menino Deus e Cidade Baixa, em dias de chuva forte.”Como podemos observar na visita, o despejo de lixo e esgoto cloacal sem tratamento causam a deterioração da qualidade da água e o forte impacto visual a quem circula nas imediações do arroio, afastando o Dilúvio da cidade e seus habitantes.
No município de Canoas, temos o arroio Araçá, que da mesma forma foi canalizado na área da cidade com maior urbanização, além de ser coberto com blocos de concreto na Av. Inconfidência. Também sofre com o esgoto e detritos, sendo identificado por parte da população como um valão.
Fonte:
http://www.blogger.com/feeds/223950480969475190/posts/default
quarta-feira, 30 de setembro de 2009, 14:25:39 marcossturmer@terra.com.br - Prof. Marcos
O Blog Projovem Canoas - Rio Branco: Aqui é só o começo... apresenta assim o ontem e o hoje de um manancial, exemplificando o que vem acontecendo com as nascentes e arroios dentro das cidades que estão se urbanizando. A ponte foi construída pelos escravos em 1848, e o arroio teve o seu curso alterado na década de 1930. Hoje a paisagem está preservada no Largo dos Açorianos. Ao passarmos por cidades do interior ainda podemos verificar o estado natural das vertentes, sangas ou córregos, como são conhecidos.
Mas fica a pergunta: até quando?
Daqui a alguns anos, infelizmente, se não alcançarmos 0 desenvolvimento sustentável, também lá no interior estarão sendo apresentados desta forma: 'Pode não parecer, mas é um arroio...'
segunda-feira, 3 de maio de 2010
'Presídio trará a sonhada preservação ambiental para Fazenda Guajuviras'
Jairo Jorge subiu ao palco e relatou à população que desde a década de 90 se luta para que as autoridades e ambientalistas cuidem do local. “Em 21 anos o que se viu foi a degradação da Fazenda Guajuviras. Lá tem um lixão, ocupação irregular de terras. O projeto do presídio e do distrito industrial prevê além do progresso a total preservação das nascentes e da mata nativa” explicou.
De acordo com informações da Secretaria Geral de Governo o projeto arquitetônico do presídio prevê total harmonia e entrosamento com meio ambiente. O prefeito de Canoas anunciou ainda que o arquiteto e ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner fará o projeto paisagístico priorizando a preservação do ambiente. O investimento será R$ 500 mil por parte do governo do estado e de R$250 mil da prefeitura.
Durante a audiência pública a equipe da Fundação Estadual de Proteção Ambiental - Fepam – se manifestou observando que a área está degradada e que as obras previstas para a área não vão comprometer a questão ambiental.
Taís Dal Ri
Secretaria de Comunicação
18:24 - sexta-feira, 23 de abril de 2010
http://www.canoas.rs.gov.br/Site/Noticias/Noticia.asp?notid=9194
terça-feira, 20 de abril de 2010
É proibido poluir?
O Araçá é objeto de estudo constante da Professora Tania Renata Prochnow do Curso de Química da Universidade Luterana do Brasil, que avalia as concentrações de metais na bacia do arroio, e suas possíveis causas advindas das atividades domésticas, industriais e agrícolas na região.Este estudo torna-se muito interessante para o conhecimento da população, uma vez que apresenta a forma como nossas ações contribuem com a poluição e contaminação do arroio, cuja captação, a 600 metros de sua foz, nos dá a água que bebemos. O esgoto, animais em decomposição, terraplanagem, uso de fertilizantes, produtos de limpeza e combustíveis, descartados no manancial, ou em seu entorno, favorecem o desenvolvimento de tal processo.
Em cada ponto o arroio possui características diferentes, percorrendo área de campos, com mata ciliar, ou totalmente coberto. Há lugares lindos como no residencial Bela Vista, entre a avenida Açucena e a parte não coberta da Av. Inconfidência. Porém, neste local, entre a mata, percebe-se, há anos, uma formação intensa de espuma (foto) que o Projeto do Rio Guri já tentou divulgar em jornais, e questionou, nas duas últimas administrações a Secretaria do Meio Ambiente. Em determinadas épocas, devido as variações do clima que interferem no volume de água, ainda verifica-se a liberação de odor desagradável provocado pela concentração de poluentes.
Para conhecer um dos trabalhos da Professora Tânia leia em:
“O Arroio Araçá está sendo utilizado como via de esgoto natural, sem tratamento, carregando consigo uma grande quantidade de detritos sólidos e poluentes diversos, como esgotos domésticos, industriais, agrícolas e, também, resíduos animais. No seu trecho final, o leito do Araçá sofreu alterações com as freqüentes dragagens realizadas para sua limpeza, bem como pela construção de dique de contenção de cheias. Ali se estabeleceu uma população invasora que vive principalmente do aproveitamento do lixo urbano e da criação clandestina de animais, causando obstrução parcial deste trecho do arroio, dificultando a vazão normal de suas águas. Com este elevado grau de contaminação, o Arroio Araçá lança suas águas no Arroio das Garças, formando uma pluma negra, alterando a qualidade das águas do mais importante manancial para o município de Canoas, também utilizado para abastecer parcialmente o vizinho município de Alvorada”.

sexta-feira, 26 de março de 2010
Lição da água
Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.
É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.
Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.
António Gedeão
clic para ampliar a fotoMasaru Emoto, pesquisador japonês, tem estudado sobre ações, pensamentos e sentimentos que interferem na realidade física da água. Ele diz que sua estrutura cristalina é afetada pela “energia de vibração” absorvidas através de atos, palavras ou músicas.
Segundo o estudioso, ao emitirmos um tipo de vibração num frasco contendo água, ela absorverá um tipo de “energia” associada ao valor, moral, do pensamento, som ou palavra que foi submetida. Isso foi verificado através do processo de cristalização onde as moléculas de água, passando do estado líquido para o estado sólido, formaram estruturas tridimensionais bem definidas, formando figuras cristalinas simétricas e muito bonitas, quando passada vibração positiva. Ao contrário, porém, foram obtidas formas sem nenhuma regularidade, com aspecto desagradável e sombrio.
Depende de nós
Se esse mundo
Ainda tem jeito
Apesar do que
O homem tem feito
Se a vida sobreviverá...
Ivan Lins
quarta-feira, 24 de março de 2010
Reflexão sobre a ação no Dia da Água
Além da visão global sobre o valor desta fonte de vida, houve o debate sobre a ação local que alunos e professores estão tendo através da participação junto ao Projeto do Rio Guri.
A atividade aconteceu com as turmas: 301, 81 (terceiro ano do ensino médio e oitava série da manhã) - 72, 82, 53 e 62 (quinta, sexta, sétima e oitava séries da tarde), com a seguinte dinâmica:
1ª parte: sensibilização com arquivo de fotos sobre cenas chocantes - "Água, em alguns lugares ela não existe";
2ª parte: relembrando as atividades realizadas no ano de 2009, enfatizando a caminhada até a Fonte D. Josefina e na Fazenda Guajuviras, mostrando as fotos e explicando como foi para aqueles que não participaram;
Professora Ivone explanando para os alunos na nascente do Araçá em 2009.
3ª parte: divulgação das notícias atuais com fotos e esclarecimento sobre a revitalização da fonte Dona Josefina, relatando a parceria com o Projeto Arroio Araçá: Nosso Rio Guri;
4ª parte: Mensagem "Cachoeiras do mundo." Reflexão sobre atitudes de iniciativa e a beleza que existe na natureza.
5ª parte: Música - 'Planeta água' (Sandy), apresentando a água coletada na fonte Dona Josefina circulando entre todos. Um minuto de pensamentos com ideias de cuidado e como cada um pode fazer para proteger a água e o meio ambiente;
6ª parte: Enquete sobre conhecimento da nossa fonte histórica - Dona Josefina/104 anos.
Parabéns aos professores e jovens que estão empenhados em conhecer os cenários naturais, em suas belezas e importância, como também, as problemáticas que precisam ser identificadas. É necessário expandir as idéias e visões de mundo, questionar e propor novos valores, perceber e integrar as diferentes temáticas que levam aos problemas ambientais. É inegável a contribuição dos jovens nas questões ambientais, através da energia e da vontade deste segmento em transformar, lutar, denunciar, revolucionar...
segunda-feira, 22 de março de 2010
Fonte Dona Josefina ganha projeto de Revitalização
Um ano depois, pelo DIA MUNDIAL DA ÁGUA - em 19/03/10 - verifica-se que um dos objetivos foi alcançado: foi lançado projeto de revitalização da Fonte dona Josefina.
Com a liderança destas secretarias e a participação de representes da Coordenadoria da Diversidade, das escolas Cofrinho de Mel, Jussara Polidoro, Artur Jochims, Rondônia, da Associação de Moradores do Resid.Hércules, Axé Jovem da FAUERS, Uniaxés, Projeto Peixe Dourado, ACADEF, aconteceu o ato de lançamento da placa que identifica o valor histórico e natural do local.
De acordo com o Secretário Municipal de Meio Ambiente Celso Barônio, tão importante quanto revitalizar o local, que também poderá ser usado pela comunidade como área de lazer, será resgatar a história da cidade. Com o nome “Recuperando Fonte de Vidas” o projeto visa realizar o levantamento das condições da área, verificar a qualidade e quantidade de água, promover a limpeza e desassoreamento, proteger a vegetação das margens e recuperar a mata ciliar.
Construída em 1904, por Antonio Lourenço Rosa a fonte recebeu este nome em homenagem a sua esposa. Situada numa área de declive na rua Santos Ferreira, em frente ao cemitério Santo Antônio, antigamente servia para o abastececimento de água à família, aos tropeiros, animais e pessoas que ali passavam e se utilizavam da ¨bica¨. A água da vertente da Fonte Josefhina formava um córrego que ia alimentar o Arroio Araçá.
O Projeto do Rio Guri veio pesquisando nos últimos anos e contribuindo com o alerta à comunidade sobre o risco que a fonte corria de ser totalmente aterrada.
Felizmente houve tempo de se resgatar este 'rio bebê', pois temos verificado que as nascentes e os fios d'água que delas saem para alimentar arroios, são vistos como incômodos para a modernidade.
O grito de SALVE A FONTE DONA JOSEFINA,
nos seus dois sentidos, de saudação e salvação, valeu.
Fica aqui a saudação do Projeto Arroio Araçá: Nosso Rio Guri
a todos que participaram desta conquista - SALVE! SALVE!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Querência

fotos de Helena - orkut Canoas Minha TerraNO MANANCIAL DE TUAS ÁGUAS
NAVEGA UM BARQUINHO DE RECUERDOS
MARGIADOS POR SONHOS E SEGREDOS
E O TEMPO...
O TEMPO QUE TE EMBELEZOU
FOI O MESMO QUE TE DESPREZOU
MARGINALIZADO PELA PRÓPRIA EVOLUÇÃO
MAL CHEIROSO, TE CHAMARAM DE VALÃO
AOS POUCOS APARECE A TUA VERTENTE
E TU REBROTA COMO SEMENTE
POR CORREGOS E BANHADAIS
TE ESCONDENDO PELOS TREMENDAIS.
PRA NÃO SUMIR COMO OS DEMAIS
QUE JÁ NÃO EXISTEM MAIS.
COMO DIZIA O VELHO POETA
EM SUA VISÃO DE PROFETA
ARROIO, O NOSSO RIO MIRIM
QUE AINDA CORRE DENTRO DE MIM!
JOSÉ LUIS BIULCHI DE SOUZA
http://culturadaquerencia.blogspot.com/
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Fazenda Guajuviras serve de abrigo para a natureza

Jornal Diário de Canoas - terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 - 09h51
Eucaliptos existentes poderão ser substituídos por mata nativa.
Em tempos de aquecimento global e de fortes mudanças climáticas, a área verde do Parque Municipal Fazenda Guajuviras, no bairro de mesmo nome, cumpre funções ambientais estratégicas para Canoas. Pulmão-verde e refúgio para animais silvestres, o local foi recentemente escolhido para a construção de um presídio, em parceria com o governo do Estado, além do já previsto distrito industrial. Consideradas de baixo impacto ao meio ambiente, as duas iniciativas deverão garantir financeiramente a preservação da mata nativa.
Na área de 558 hectares predominam os eucaliptos remanescentes da plantação comercial que existia à época da desapropriação da fazenda, em 1973. De acordo com o engenheiro agrônomo da Secretaria do Meio Ambiente, Fernando Ferrari Sobrinho, existe a proposta de substituir estas árvores por vegetação nativa, já que o eucalipto não atrai a fauna nem permite o crescimento de outras plantas. Mas em um passeio pelo parque é fácil identificar outras espécies, como figueiras, guajuviras, timabúvas (árvore símbolo de Canoas), umbus, aroeiras, jacarandás e guarapurus. ‘‘Temos um banco de sementes muito rico’’, afirma Ferrari.
REFÚGIO - Da mesma forma, a área, em meio ao ambiente urbano, torna-se um refúgio para pássaros diversos (garças, marrecas, anu-brancos, gaviões e joão-de-barro) e aves migratórias que passam por Canoas e são atraídas pelos banhados da fazenda.
Além das áreas alagadiças, o parque possui açude e diversas nascentes de água que abastecem os arroios Brigadeira e Araçá. Também os charcos (áreas de água estagnada em meio às árvores), que têm a tarefa de reter a chuva em períodos de abundância são importantes para equilibrar o ecossistema.
Município deseja criar parque natural
Um dos principais planos da Prefeitura para a Fazenda Guajuviras é o de assegurar sua transformação em Área de Proteção Ambiental (APA). ‘‘Atualmente, o parque está desprotegido, aberto à possibilidade de ocupação e de degradação’’, comenta o prefeito Jairo Jorge. Para evitar a exploração ilegal do espaço, ele pretende viabilizar a criação de um parque natural, que compreenderá 258 hectares. ‘‘Esta é uma das maiores áreas verdes da Grande Porto Alegre’’, destaca. Neste sentido, uma intenção é implantar locais de convivência e para realização de atividades de lazer, culturais e esportivas.
Da área restante, o prefeito afirma que 50 hectares serão destinados para o complexo penitenciário. Outros 250 hectares estão reservados ao pólo industrial de alta tecnologia. ‘‘Mesmo na área empresarial, a ideia é preservar a área natural, criando um local harmônico entre tecnologia e natureza. O parque empresarial ajudará a manter o parque natural’’, ressalta.
Marcos Merker/Da Redação
Foto: Luciano Bergamaschi/GES
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Arroio Araçá na memória dos Quilombolas
JAZ SEM LÁPIDE O ARROIO ARAÇÁ.
MEMÓRIAS QUILOMBOLAS EM CANOAS/RS
Profa. Dra. Elsa Gonçalves Avancini
Professora de graduação em História e
do Mestrado em Memória Social e Bens Culturais
Centro Universitário La Salle,Canoas/RS
RESUMOEste trabalho pretende registrar parcialmente uma memória ambiental do Arroio Araçá cujas águas correm parcialmente sob as lajes do canteiro central da Avenida Inconfidência no centro de Canoas. O Arroio Araçá atravessa a cidade desde suas nascentes no Bairro Guajuviras até desaguar no Guaíba, próximo a Ilha das Garças, num local não muito distante de onde a CORSAN recolhe a água que abastece a cidade.
Em algumas áreas como a dos residenciais Hércules e Bela Vista o arroio está a descoberto, apresenta mata ciliar, com árvores frutíferas, ao lado de uma ativa fauna, onde se destacam aves silvestres, capivaras, tartarugas, gambás... As águas de suas nascentes tímidas e cristalinas no Guajuviras parecem iniciar temeroso o seu trajeto, pois encontram obstáculos interpostos à sua passagem obstada por lixos e entulhos jogados de suas margens. Parcelas da população local, carentes de educação ambiental, ignoram o papel e importância das fontes e dos arroios na formação dos rios de onde retiramos água para nossa sobrevivência.Outra parte do Arroio está coberta por lajes e muitos talvez não saibam que sob o local, as águas correm escondidas do sol, sufocando a vida no seu ecossistema. No Bairro Marechal Rondon o Araçá apresenta duas realidades: na Avenida Inconfidência, a partir da Av.Ulbra/Açucena, em seu entorno, possui área com difícil acesso, com mata densa; e a partir da Rua São José o arroio está coberto, com seu entorno totalmente pavimentado, até a BR 116.Para os que ignoram esse fato apresentamos uma memória da presença desse Arroio por parte de uma comunidade que sempre viveu às suas margens, a comunidade do Quilombo Chácara das Rosas, cujos membros mais velhos contam muitas histórias da presença do Araçá em suas vidas, desde a chegada de seus patriarcas João Maria Genelício de Jesus e dona Rosalina Correia dos Santos que ali passaram a viver a partir dos anos 40 do século XX. Hoje o Quilombo Chácara das Rosas já recebeu sua propriedade coletiva titulada pelo governo federal, o Arroio Araça, contudo, aguarda ainda o despertar da memória social da comunidade canoense para a proteção dos seus bens culturais e ambientais, preservando o rico patrimônio que essas memórias lembram e que ainda subsiste parcialmente na travessia da área do município de Canoas.
PALAVRAS CHAVE: Quilombo urbano, Arroio Araçá, memória e patrimônio ambiental.
INTRODUÇÃODe acordo com entrevistas por nós realizadas junto à comunidade e as descrições do Laudo Pericial do INCRA, os habitantes da “Chácara” são descendentes dos filhos de Manoel Barbosa dos Santos, fundador da Comunidade Quilombola Manoel Barbosa de Gravataí. O grupo canoense se originou do casal João Maria Genelício de Jesus e Rosalina Correia dos Santos que, segundo relato dos seus herdeiros, teria adquirido o terreno da Chácara por volta de 1940. Esse terreno hoje situado entre a Rua Duque de Caxias, nº947, e a rua D. Rafaela, têm 22,40m de largura por 1.65m de comprimento (OLIVEIRA,ET al. 2007, p.115), onde nasceram os filhos mais novos de João Maria Genelício de Jesus e Rosalina Barbosa de Jesus: Gabriel (1952), Antônio de Jesus (1946) e Miguelina de Jesus (s.d.). A maioria ainda residente no terreno, juntamente com seus filhos e outros parentes agregados ao núcleo de quase 30 famílias que hoje vivem no local.
De acordo com as narrativas de seus descendentes e levantamento feito pelo laudo antropológico do INCRA o senhor João Genelicio de Jesus era natural de Gravataí, onde era cortador de lenha e carreteiro. Trabalhava no corte de lenha e no transporte de outras mercadorias, costumando viajar seguidamente para Canoas, onde adquiriu o terreno no qual um dia veio morar com sua esposa Rosalina e quatro filhos. Isto por volta de 1946, pois Maria do Carmo (1936) lembra que deveria estar com nove anos, sua irmã Maria Abrelina Genelício (1931) com quinze, Inácia com doze e João dos Santos Genelício (1939) com sete (CARVALHO, 2003:83-84), e entrevistas constante do acervo do Museu e Arquivo Histórico La Salle (MAHLS).
MEMÓRIAS DO LUGAR: A CASA, O QUINTAL E AS CERCANIAS
Conforme Catroga a memória é seletiva e por isso adotamos como estratégia desse escrito ir destacando algumas temáticas que se mostraram recorrentes nos relatos como a descrição do meio ambiente e do lugar, como era e como está hoje.
Dentro da perspectiva coletivista que marca a comunidade remanescente as primeiras entrevistas transcorreram em conjunto e dela tivemos que registrar uma memória de campo dos pesquisadores, feita na tentativa de acompanhar tantas evocações brotadas no coletivo. Posteriormente agrupando-os dois a dois para gravar as entrevistas, pudemos registrar esses diálogos de memórias e sua busca de localização no tempo e no espaço. As descrições da paisagem local emergem desses relatos onde estão presentes de forma marcante as lembranças do antigo Capão do Corvo e do Arroio Araçá canalizado pelas obras da Rua Inconfidência na década de sessenta do século XX.
O Capão do Corvo, hoje parte do Parque Getúlio Vargas, é um dos muitos capões de mato que verdejam sobre as coxilhas canoenses, situadas entre três tributários do Guaíba: o rio Caí, o Sinos e o Gravataí. É uma zona de muitos pântanos que se inundavam por ocasião das enchentes, e de arroios como o Araçá, o das Garças, o Arroio Sapucaia e o Arroio da Brigadeira cujos nomes contam um pouco da história da ocupação desse espaço. Desde o final do século XVIII, quando aqui chegou seu primeiro povoador europeu Francisco Pinto Bandeira que se instalou às margens do Arroio da Brigadeira como ficou conhecida pelo nome de sua nora Josefa Eulália que lhe sobreviveu e a seu esposo o Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira.
A presença dessas muitas águas que abraçam a cidade povoa os sonhos e os pesadelos das populações canoenses, pois a cidade foi construída não sobre as terras altas da Estância como sabiamente escolheu para sua sede Francisco Pinto Bandeira, mas sobre as zonas baixas e alagadiças, que se ofereciam como terrenos mais baratos (PENNA, 1997, p.17) aos migrantes pobres provenientes do interior do estado e onde as companhias de colonização estabeleceram seus loteamentos.
Dentre as descrições do lugar vieram muito fortes as impressões da infância e do cotidiano da vida nesse período e da paisagem, quando o quintal possuía um mato de eucaliptos, árvore cuja origem talvez esteja em outros sítios onde seu João havia feito outro mato com essa árvore. Seu Antônio, irmão de seu João relata: “o cunhado, marido da Inácia, plantou os eucalipto da fazenda da viúva do Seu. Valdemar, e acho que é de lá que ele trouxe para cá. No curral em frente, tinha mato de eucalipto ali onde tem as casa bonita (...)”. (2004). Essas casas bonitas a que seu Antônio se refere são as novas residências dos condomínios hoje construídos no entorno da área do quilombo, que ficou restrito ao local de suas moradias, embora hoje o plano diretor atual da cidade que incluiu a área do quilombo, lhe preserve uma distância de vinte metros para construções lindeiras.
Nessa mesma rememoração seu Antonio recorda a presença de elementos da fauna como os passarinhos da época de sua infância nos anos 50 e 60: “tinha sabiá e saíra. Tinha uma frutinha vermelha que os passarinhos vinham comer” (2004).Jorge Gabriel de Jesus (1952) lembra a presença das árvores frutíferas do quintal que “além de um mato de eucalipto, tinha butiazeiro, laranjeira, coqueiro e três pés de limoeiro” (2004).
Os eucaliptos também são lembrados por Edson, filho de seu João e Glaci, que fala de sua existência no antigo Capão do Corvo que era propriedade dos Irmãos lassallistas. Edson recorda como era a antiga paisagem onde hoje se situa o atual parque Getúlio Vargas: “...era dentro do jardim do lago, onde tem os patos era a piscina, tinha um vestiário um do lado do outro, tinha um trampolim tinha uma escada que ia de um lado ao outro. Os padres venderam o lugar onde eles moravam”. (2004). Edson Genelício de Jesus (1966) relata que a gurizada adorava pular os muros e tomar banho na piscina, recorda “que primeiro eles não deixaram usar a piscina, depois permitiram que a gente tomasse banho” (2004). Relata também que os Irmãos tinham cães de guarda e conta orgulhosos como o viralata da comunidade, um dia, os defendeu contra eles:
...um cachorro que corria o pessoal, pois eles tinham pomar no internato. Uma vez os cachorros tiraram um pedaço da perna de um guri (...) eles me atacaram, uma vez, eram três cães, nosso vira latas é que nos defendeu. Era o "tosinho", era o campeão daqui. Ele pegava os outros cachorros e atirava no valo. (2004)
Outra recordação do mato daquele tempo vem de Jorge Gabriel o mano mais velho. “Na rua dona Rafaela as tropas que entravam vinham da rua -uma liberdade -, passava pelo "capão dos padre" tinha um cemitério dos padres no fundo do zaffari, aqui era só mato”. (2004). Outra filha de seu João Genelício e dona Glaci Goulart, Isabel Cristina Genelício (1976), recorda o mato pelo qual passava quando era pequena, e que lhe inspirava certo temor, mas apesar disso relata: “andava tudo aqui sozinha e, hoje, não tenho confiança de deixar a minha filha ir à escola. Eu vou levar”. (2004). Segundo Isabel antigamente o parque era lugar de passeio, agora abriga outros perigos como a presença de pessoas viciadas no uso de drogas. “Hoje o medo não é do mato, mas dos muros altos que a gente não sabe o que tem atrás. É muita gente estranha, por isso eu busco e levo a minha filha” (2004). (grifos nossos).
O relato de Isabel mostra a mudança havida na sua representação do medo em relação à paisagem que agora mudou. O processo de urbanização da “cidade nova” como eles constantemente referem a respeito dessa parte do centro que cresceu em direção ao Bairro Rondon e a N.S. das Graças.
MEMÓRIAS DO 'VALÃO': AS MUDANÇAS NA PAISAGEMOutra lembrança muito forte da antiga paisagem vem de um “sangão”, hoje canalizado no Cristo Redentor: “Nós tomávamos banho no valo do Cristo Redentor ali tinha um açude -o valo estreitou- ele era mais aberto. Agora o valão é esgoto e taparam. Nós chamávamos de "sangão". Ele formava "uma bacia". (GENELICÍO, Antônio. 2004).
Sobre o valão seu Antônio tem muito a dizer, pois a gurizada costumava tomar banho nele e ele tinha até uma cascatinha que todos curtiam.
http://picasaweb.google.com/arroioaracacanoas/TrajetoDoAraca#5236714312616269858
Até mesmo Isabel a sobrinha de Antônio tem lembrança disso: “Tonho, ...não nadava... um pouco caia... dentro do valo. Lá saia, tudo molhado... assim por diante, ajudava – complicado- a resgatar, tirar as crianças que caíam na água...” (2004)
- O “valo da draga”, como seu Antônio o denomina, era ali onde tem aquela ponte que passa sobre a canalização. E ele procura explicar porque o valão era chamado valo da draga:
...era o valo da draga, aqui não tem uma pontezinha,? Perto da pontizinha... Ali, ia até o tênis clube na faixa federal. Lá era só draga né, era o valão da draga. (...) nós chamávamos valo da draga, por que ela fazia a limpeza.,. (...) a draga ficava na entrada dos padres, por que... Uma retro-escavadeira não faz todo aquele serviço, mas. A retro-escavadeira não é que nem a draga, vai lá diante assim, levantava atrás, é a retro-escavadeira, só pra limpeza. (2004)
Nesse valo seu Antônio conta que além de tomar banho, fazia muitas pescarias: pegava peixes: “jundiá, traíra, cará, muçum, pois o pessoal daqui gostava muito de muçum”.
Seu Antônio recorda o alarido das crianças quando, certa vez, voltou da “draga” com uma fieira de muçuns: “a última vez que tive na draga, acho que faz. uns três, quatro anos, eu peguei sete muçum...seis... oito... (...). trouxe uma... fiada, as crianças gritavam, chegava perto das crianças e fazia assim háaa, e elas saiam correndo...” (2004)
E como todo bom pescador seu Antônio fala do tamanho de seu pescado: “éh!. eu já tive aqui no zaffari, tive no mercado, ali vende também..., mais olha.., sinceramente. eu peguei dois grandão assim..., a coisa mais horrível, grandão..., mais olha da medo quando a gente vai puxar ele...” (2004).
Agora seu Antônio diz que ali onde era o lago do Capão do Corvo está tudo diferente: “ali pra dentro botaram, um não sei que bicho... que botaram ali..., a senhora já viu ...pra dentro... como ta aquilo ali..., pois botaram capivaras e ganso no parque” (2004). Isabel também mostra estranheza em relação aos novos bichos: “só que tem... que cuidar que ele corre atrás... né... eles são danadinho... ( ) ...quando ganso começa a “ latir” pra gente, ganso... parece cachorro...” (2004).
D. Glaci relata que o valão era onde fizeram uma pracinha na Inconfidência , no canteiro central, sob cujas lajes correm o Arroio Araçá, evocado pela comunidade já durante as obras da canalização conforme relata seu Antonio a respeito da draga. Isabel relata que: “quando era pequena se podia ver daqui lá no cristo, era um prédio marrom com bege. Era um campo todo coberto de cactos. A cachoeira, o valão a água era tri boa”. (2004). Então, segundo D. Gaci, o valão não era sujo. Isabel relata “que com a invasão do Guajuviras a sujeira veio toda para cá. Lembra também que tinha uma pontezinha para atravessar o valão. “Fico triste de terem estragado o valão”. (2004).
Sobre as brincadeiras Dona Abrelina também recorda os banhos no Arroio: “Tomávamos banho lá. Era proibido. No verão nós saia correndo um atrás do outro, íamos pra lá toma banho. Era muito tranqüilo lá ...” (2004).
Outro relato importante de Gabriel, João e Tonho é a respeito do Colégio Edgar Fontoura, sua paisagem, suas professoras e a disciplina da escola:
...onde era o coleginho era banhado. (...) tinha maricá. Agente ia ao colégio Edgar Fontoura, às vezes agente ficava de pé porque não tinha lugar. Aquelas professoras é que eram boas. Professora Odita, Elaine e Alba. Naquela época não tinha ajuntamento na frente da escola. (2004).
O banhado nessa descrição lembra mais uma vez as zonas alagadiças desses terrenos baixos cercados de rios e arroios, aonde vieram se localizar a maior parte da população urbana de Canoas nos anos pós guerra.
Vemos como as memórias da comunidade negra do Quilombo trazem essas lembranças da paisagem do Araçá, fornecendo dados sobre sua flora e fauna, hoje revisitadas pela comunidade nas atividades de preservação desenvolvidas pelo Projeto Arroio Araçá Nosso Rio Guri. O nome do projeto faz uma alusão a Mário Quintana cujo poema se refere a um arroio como um rio guri na medida em que essas muitas fontes pequenas nutrem os grandes rios.
O patrimônio ambiental focalizado nesses depoimentos de memória como elemento imaterial configurador de um território cuja existência ultrapassava em muito os meros limites do terreno urbano pelo qual estão prestes a receber titularidade das mãos do presidente da República. De outro lado é através dessas memórias que a comunidade quilombola e a comunidade canoense se aproximam na medida em que as águas do Araçá, na sua trajetória interior pelo território da municipalidade, povoam também a memória de moradores de outros bairros da cidade.
FONTES BIBLIOGRAFICAS
AVANCINI. Elsa Gonçalves, FRANÇA, M.C. Famílias remanescentes do quilombo Manoel Barbosa: o caso da descendência de Jerônima. Anais eletrônicos, VII RAM, GT 33, Porto Alegre. 2007
_. AGUILAR, Maria do Carmo. Chácara da Rosa, comunidade quilombola em Canoas. Memória e Território. CONGRESSO ALADAA, GT TERRITORIOS NEGROS E CONFLITOS SOCIAIS 2008.02.
CARAVALHO, Ana Paula Comim. Do “Planeta dos Macacos” a “Chácara das Rosas”. De um território negro a comunidade quilombola. (org.) SILVA, Gilberto Ferreira, SANTOS, José Antonio dos, CARNEIRO, Luiz Carlos da Cunha. RS Negro: cartografias sobre a produção do conhecimento. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008, ISBN 978-85-7430-742-8, p.220-230
CATROGA, Fernando (org.). Memória e história. In: Pesavento, Sandra Jatahy, org. Fronteiras do milênio. Porto Alegre: Editora da Universidade, 2000.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo, Centauro, 2006
OLIVEIRA Vinicius Pereira de. RODRIGUES, Vera Oliveira O ontem e o hoje de uma luta quilombola. Relatório Antropológico e Histórico de uma comunidade negra em Canoas/RS. Porto Alegre FURGS/INCRA-Rs, 2007.
http://picasaweb.google.com/arroioaracacanoas/TrajetoDoAraca#5236714312616269858
FONTES ORAISPINTO, Abrelina Genelício; GENELÍCIO, Maria do Carmo. Pesquisa: Afrodescendentes de Canoas: Os remanescentes do Quilombo de Manoel Barbosa. Canoas, Unilasalle, out. de 2004. Entrevista concedida à Elsa Gonçalves Avancini.
GENELICÍO, João dos Santos; SANTOS, Glaci Genelicío, e Edson Genelício. Pesquisa: Afrodescendentes em Canoas: Os remanescentes do Quilombo de Manoel Barbosa. Canoas, Unilasalle, 10 de ago. 2004. Entrevista concedida à Elsa Gonçalves Avancini.
GENELICÍO, Antônio; GENELICÍO, Isabel. Pesquisa: Afrodescendentes de Canoas: Os remanescentes do Quilombo de Manoel Barbosa. Canoas, Unilasalle, 10 de set. 2004. Entrevista concedida à Elsa Gonçalves Avancini.
GENELICÍO, Antonio; GENELICÍO, Edson; GENELICÍO, Gabriel; SANTOS, Glaci. Pesquisa: Afrodescendentes de Canoas: Os remanescentes do Quilombo de Manoel Barbosa. Canoas, Unilasalle, 24 de abr. 2004. Entrevista coletiva concedida à Elsa Gonçalves Avancini.
Plano Diretor da Cidade
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Araçá no encontro das águas no Guaíba
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Fonte Dona Josefina recebe Nossa Senhora das Águas

quarta-feira, 16 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
+CANOAS encarte ZH 28/08/09 - Artigo sobre o projeto abraçado pela comunidade
sábado, 22 de agosto de 2009
Arroio Araçá na memória da Comunidade Quilombola de Canoas.
...
Elsa Avancini – Essa questão já foi pensada no Brasil através do Instituto Nacional de Reforma Agrária que, quando conduziu o reconhecimento das comunidades quilombolas e estabeleceu os decretos para o estabelecimento dessas comunidades, reconheceu aos indígenas as terras necessárias para sua sobrevivência e para produção de sua sobrevivência. Às vezes, as comunidades urbanas não têm mais como reivindicar em torno, pois o quilombo já está todo balizado pelas construções, pelo bairro que já avançou. Em outros lugares, as terras onde as comunidades vivem são necessárias a sua sobrevivência econômica. Essa interpretação me parece válida, não há por que termos uma legislação para os indígenas e outra para os quilombolas.
Em março de 2008, tínhamos no RS 182 comunidades identificadas e com 35 processos abertos, ou seja, há uma grande quantidade de comunidades aqui no estado. A Constituição de 1988 e o decreto 4887 permitiram que essas comunidades procurassem auxílio. Como elas não tinham apoio algum, as comunidades pobres e negras iam aos cartórios, onde eram mandados de uma repartição a outra, e não conseguiam reconhecer seu espaço. Isso tornou a luta muito mais difícil.
Elsa Avancini – Em especial, a comunidade Chácara das Rosas, onde eu fiz entrevistas, tem uma memória do meio ambiente local muito intensa e bonita, relembrando traços do espaço que hoje são diferentes. Hoje, essa área é urbanizada, e os arroios, em parte, estão canalizados. Por outro lado, essa mesma comunidade tem participado do projeto Arroio Araçá, Nosso Rio Guri, além de ajudar nas ações de limpeza do arroio e participar no sentido de preservar o meio ambiente, a fauna e flora da cidade.
Para ler a entrevista na íntegra acesse Rede de Educação Cidadã:domingo, 16 de agosto de 2009
Nascente do Araçá na 16ª Romaria das Águas
Neste lindo sábado de sol representantes da comunidade canoense e visitantes, tais como: escolas, igrejas, terreiros, poder público, sindicato, ongs e demais segmentos, reuniram-se para a coleta das águas em nascentes para o lançamento na cidade da 16ª Romaria das Águas na Bacia do Guaíba, com o espírito de união que a natureza necessita para seu cuidado. sábado, 15 de agosto de 2009
Canoas é rodeada de águas
Essas mesmas águas que inspiraram seu nome.
Com as cidades vizinhas são assim seus limites:
Esteio - Arroio Sapucaia
Cachoeirinha - Arroio da Brigadeira
Nova Santa Rita - Rio dos Sinos
Porto Alegre - Rio Gravataí
Além disso possui arroios que ainda estão sendo conhecidos pela população:
Guajuviras, Passo do Nazário, Araçá...
Enquanto outros já foram cobertos.
Há a histórica Fonte Josefina. Hoje só uma lembrança.
Há os açudes que se extingiram como, por exemplo, o da Vila dos Fernandes e do Residencial Alta Vista.
Há o açude que ainda resiste em chácara particular atrás do Hospital N.S. das Graças.
E deve ter havido muito mais, que não conhecemos.
Nossas águas.
Água de todos.
Ela não tem fronteiras, é recurso comum.
O Rio é de Oxum.
O lago é de Oxum, Águas de Oxum...
Águas da cachoeira, águas de Oxum...
Água cristalina, água de Oxum...
Canoas é de Oxum.

http://www.youtube.com/watch?v=gMPa7tuI4zQ
http://www.youtube.com/watch?v=Jdjv3HiN1po&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Ic4yLjXYQkM&feature=related
Imagem adaptada da capa da revista do Plano Diretor da Cidade - 2008
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Coleta na nascente do Arroio Araçá
Coleta em 2008 na 15ª Romaria das águas


