Nascido em 30 de julho de 1906, em Alegrete, este ano marca os 120 anos do poeta, cronista, jornalista e tradutor Mario Quintana, com diversas homenagens e eventos culturais pelo Rio Grande do Sul.
Seu poema OS ARROIOS, publicado em 1986 no livro Baú dos Espantos, retrata os pequenos rios pulando como guris alegres pela cidade, mas, também, como infância inocente agredida pela poluição nas áreas urbanas. O movimento livre da natureza inicialmente pura, de águas límpidas, que, ao não ser protegida, sofre os revezes da degradação do meio e do capitalismo sem freio.
Ele nos inspira a cuidar.
A nossa mais profunda gratidão pela sensibilidade e pelo seu olhar generoso, poeta.
Neste mundo corrido onde ignoramos detalhes importantes, sua poesia, lá nos idos de 1986 já surgia como anuncio e como denuncia, como pausa necessária para nos devolver a humanidade.
Continuou nos ensinando a transformar o cotidiano em arte, a dar voz aos "rios guris" que correm esquecidos por nós. Nos inspirou a chamar as nascentes de "rios bebês", a resgatar e fortalecer a pureza e a inocência que o dia a dia tenta apagar. Através de seus versos valorizando a infância das águas, percebemos a beleza simples no menor detalhe da natureza.
Gratidão, Quintana, por sua capacidade única de traduzir em palavras aquilo que o nosso coração sente, mas muitas vezes não sabe como expressar.
Gratidão, Quintana, por sua sensibilidade e afeto, um lembrete constante que a vida, em suas mais diversas formas, pode sofrer, mas, ainda, transborda poesia, e precisamos continuar a cuidar.
Felizes somos todos aqui dos Rios Grandes do Sul por sua vida, palavras e expressões.
Com Manuel Bandeira afirmamos:
'Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.
Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...'