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terça-feira, 8 de junho de 2021

Arroio Araçá é História

-Tu corres por esta terra, 

muito, 

muito, 

muito antes, 

de ser a nossa Canoas de 80 anos, 

rio guri...

Espanha e Portugal dividiram a América do Sul pelo Tratado de Tordesilhas, e no extremo sul do continente disputaram longamente onde hoje se encontra Uruguai e Rio Grande do Sul. Essas terras na região do Rio da Prata foi cenário de várias batalhas, motivo de novos Tratados e da Guerra Guaranítica.

No Século XVIII o ponto de resistência portuguesa era Laguna/Santa Catarina e de lá foram enviados soldados para resguardar pontos estratégicos mais ao sul, pelos Campos de Viamão. 

Assim, em 1733 Francisco Pinto Bandeira espalha seu exército por várias regiões e uma de suas instalações foi na paragem Guaixim-Sapucaia, onde cria a Fazenda Gravataí que envolve a região da Grande Porto Alegre. Uma das casas da fazenda foi na colina onde temos a divisa entre Canoas e Cachoeirinha, pelo Arroio da Brigadeira.  Em 1740, nasce seu filho, que entra para o Exército com 14 anos, se tornando o Brigadeiro Rafael Pinto Bandeira. Rafael herda as terras com sua esposa em segundo casamento, a Brigadeira Josefa Eulália. O casal teve a filha Dona Rafaela Pinto Bandeira (1792/1888), também conhecida como a Brigadeira, que dá seguimento à história na região onde nasce a cidade de Canoas.

Rafaela cresce instalada na Chácara da Brigadeira onde hoje é o Bairro Independência que o pai Rafael recebera da Coroa por prestação de serviços. Tinha 3 anos quando ele faleceu (1795). Em 1812 casa com o Coronel o Coronel Vicente Ferrer da Silva Freire com quem teve sete filhos. Perdeu o marido e de um filho na Revolução Farroupilha em 1836. Faleceu em 1888 quando nas terras herdadas do avô Pinto Bandeira se instalara a viação férrea (1874), na região no entorno do Arroio Araçá, e já estavam em divisão (1884) para alguns dos seus filhos, como segue no mapa que dá origem à cidade de Canoas.

  • Coronel Vicente Ferrer da Silva Freire (filho) casado com Josefina dos Reis;
  • Maria Josefa Freire casada com Dr. Israel Rodrigues Barcelos - herdaram a parte da casa da Estância na colina do Abílio 
  • Maria Luísa Freire casada com José Joaquim dos Santos Ferreira 

A antiga Estrada da Aldeia entre o Rio dos Sinos e a Aldeia dos Anjos (Gravataí) dividida pelo arroio Araçá passou a ter o nome dos dois genros de Dona Rafaela para cada lado: Santos Ferreira e Dr. Barcelos.


"...O assassinato do Coronel Vicente Ferrer, somado aos constantes saques às suas terras e o desmantelamento de seu gado e escravaria num constante crescendo, corroboraram para a rápida divisão entre os herdeiros e os primeiros movimentos de povoamento e demarcação das terras da futura cidade de Canoas, já em meados da década de 1840..." 
e

Mapa de 1900 - Trajeto e mata ciliar




1904 - Cuidados com uma das nascentes - 
proteção Fonte Dona Josefina feito por Antônio Lourenço Rosa


Enchente e o Araçá em 1926 - 
Cruzamentos da ferrovia e BR116 com o arroio.

1967 - Trecho na BR 116 com av. Victor Barreto



1977 - Arroio correndo aberto e depois fechado na Inconfidência
Chamado de valão


1985 - Araçá é notícia no Jornal Zero Hora
Apelo por socorro

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Fonte Dona Josefina no caminho dos viajantes

Uma viagem no tempo e pelos caminhos do Rio Grande, aqui do Sul.
Uma história que passa, também, pelas águas do Rio Guri. Vamos ver por quê.
A história do Rio Grande do Sul está ligada ao tropeirismo uma vez que, para ter acesso e assegurar as terras da região foi necessária a formação de tropas cujo objetivo, inicialmente, era garantir a posse na luta contra os espanhóis, e, consequentemente, a subsistência dos povoados que iam surgindo, se efetivando o comércio com os mercados de Laguna e de São Paulo. Os negócios da erva mate, charque, produtos agrícolas primários e utensílios, além do pastoreio do gado bovino fez do tropeirismo a importante atividade econômica nos séculos XVII a XIX. Assim iniciaram os caminhos do Rio Grande, através dos trajetos dos tropeiros, que abriam picadas, seguiam curso dos rios e atravessavam os campos num período de semanas. O local de pouso deveria garantir abrigo e água para os homens e animais. O fogo de chão garantia a alimentação e aquecia nos tempos de inverno rigoroso. Esses locais, pela história, se transformaram em povoamento dando origem às muitas das cidades atuais.
Desta forma surgiram aqui no sul os Caminhos da Praia (atual BR 101), dos Campos de Lages, de Viamão, da Serra, das Missões, Sacramento e outros. Esses são os caminhos pioneiros, conhecidos e estudados, que se transformaram em estradas, assim como os principais rios eram os caminhos de andanças pelas águas, num movimento que durou desde meados do Século XVII até o início do Século XX, quando se firmaram os novos meios de transportes.
Mas, também, haviam os caminhos secundários por onde, certamente, tropeiros, carreteiros viajantes, suas famílias e empregados se embrenhavam por estas terras, pelos campos com coxilhas (colinas), capões e banhados, da hoje conhecida Canoas. Terra onde se assentou a família de um dos primeiros tropeiros que aqui chegaram, o conquistador e povoador Francisco Pinto Bandeira.  Alguns autores chamam sua paragem de Guaixim - Sapucaia, onde ficava a sede da Fazenda do Gravataí, na Colina do Abílio, hoje bairro Estância Velha.Um local estratégico com ampla visão para os lados de Porto Alegre e para as várzeas dos rios da região, cujas características naturais certamente chamou a atenção destes viajantes.
“... a história do início do tropeirismo, tal qual seu apogeu, considerado pela historiografia atual como sendo os séculos XVIII e a primeira metade do XIX, esteve inter-relacionada a feições físicas características de cada região... ...graças as suas especificidades geológicas e biológicas, tornaram-se um importante ponto de apoio aos viajantes. (Entre mio-mios e embiras: homens e animais no caminho das tropas, pg 26)
Neste sentido este artigo busca destacar especificamente a nascente a beira da estrada que se firmou na região, neste período: a Estrada da Aldeia, sendo caminho de viajantes e tropeiros entre a Aldeia dos Anjos (Gravataí) e outras partes do país. Através do Passo das Canoas escoavam mercadorias pelos rios locais, principalmente o cultivo da mandioca e a exportação de farinha, contribuindo para o desenvolvimento da região.
Com a criação dos quatro primeiros municípios no estado do Rio Grande do Sul – Porto Alegre, Santo Antonio da Patrulha, Rio Grande e Rio Pardo, no início do Século XVIII a Aldeia dos Anjos, atual cidade de Gravataí, abraçava nos arredores, hoje as cidades de Canoas, Esteio, Cachoeirinha, Santa Rita, passando a ser distrito de Porto Alegre. Intenso eram por seus caminhos o trânsito de carretas de mercadorias entre a região, o Litoral e a Serra. E a Fonte na Estrada da Aldeia, atual Avenida Santos Ferreira, provavelmente recebia estes viajantes em suas paradas, proporcionando boa água ali existente e descanso.
Salientamos a importância de marcar e ampliar esta parte da história local, desta Fonte, da Cidade, da Região e do Estado, como espaço escolhido pelo povoador para morada, e tendo ainda como marco o cuidado ambiental de Lorenço Rosa ao criar em 1904 a proteção da nascente que ainda resta na chamada  fonte Dona Josefina.
A memória da parada dos viajantes na Fonte está registrada na produção historiográfica Canoas- Para Lembrar Quem Somos: Estância Velha. Nesta obra Noely Soares, o seu Neno, conta como funcionava o acampamento dos carreteiros ali na fonte, onde sesteavam, davam água para os bois e até pernoitavam, quando negociavam com o matadouro que se instalou nos seus arredores. Isso por volta de 1925, onde hoje é a Capatazia da Prefeitura. Nesta época, já se caracterizava como o final do tropeirismo, afirmado neste livro, com o advento das ferrovias e estradas e caminhões. O que firmou o início da história de Canoas. Entre outros relatos sobre esta fonte histórica, está o do Cônego Engilberto Hartmann contando que, no início do Século XX, quando seus avós iam de Taquari para o litoral, de carroça, passavam pela Estância Velha. Ele conta que esse era o caminho mais curto para a praia (veja mapa abaixo), e a Fonte Dona Josefina era o terceiro local de pernoite do grupo. “Dali eram mais 3 dias até Tramandaí” (1997).
E o projeto do Rio Guri tem orgulho de ter recebido em 2013, das mãos do saudoso poeta local Etevaldo Silveira, os versos sobre a Fonte Josefina que descrevem poeticamente essa jornada dos viajantes, reforçando o espaço da fonte como patrimônio natural e histórico.

Fontes bibiográficas:
PENNA, Rejane (Org). Canoas – Para Lembrar quem somos: Estância Velha. Canoas: Tecnicópias Gráfica e Editora, 1997.
http://www.revistas2.uepg.br/index.php/ahu/article/view/8753 - ENTRE MIO-MIOS E EMBIRAS: HOMENS E ANIMAIS NO CAMINHO DAS TROPAS

sábado, 10 de março de 2012

Arroio Araçá e a História de Canoas III

 Lei nº 33 de 12 de novembro de 1943 de Canoas

AUTORIZA A PREFEITURA A PROCEDER OS ESTUDOS NECESSÁRIOS À ELABORAÇÃO DO PLANO DIRETOR E ABRE UM CRÉDITO ESPECIAL.

O Prefeito do Município de Canoas, em conformidade ao disposto no artº 5º, do Decreto-Lei Federal nº 1202, de 08 de abril de 1939 e Resolução nº 4298 do Conselho Administrativo do Estado, Decreta:

Art. 1º - Fica a Prefeitura Municipal autorizada a proceder com as devidas cautelas legais, aos estudos necessários à elaboração do Plano Diretor de Reurbanização da Cidade, a saber:
a) Planta de situação da zona a urbanizar, em relação aos núcleos e vizinhos;
b) Zoneamento;
c) Planta de Reurbanização da área urbana da cidade;
d) Rede rodoviária urbana, suburbana e intermunicipal;
e) Planta da rede de água potável;
f) Planta da rede de esgotos cloacais;
g) Planta da rede de águas pluviais;
h) Planta da canalização e retificação do Arroio Araçá;
i) Perfis transversais das ruas padronizadas;
j) Estudo do re-loteamento dos terrenos da zona urbana, em função do plano de melhoramentos;
k) Anteprojeto das obras de arte previstas para retificação do Arroio Araçá;
Sinônimos de retificar:  corrigir, emendar, alinhar, endireitar, arranjar, compor, enfileirar, igualar, perfilar, regrar, retificar, castigar, censurar, disciplinar, melhorar, moralizar, refaze, reformar, refundir, regenerar, regularizar, remediar, remendar, repreender, retocar, rever, sarar, acrescentar, alterar, aumentar ...
l) Localização dos serviços públicos.


Art. 2º - Para atender as despesas decorrentes do artigo anterior, fica aberto um crédito especial de Cr$ 50.000,00 que será coberto pelo saldo oriundo do exercício anterior.

Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário.

Prefeitura Municipal de Canoas, em 12 de novembro de 1943.
ALUÍZIO PALMEIRO DE ESCOBAR.
Prefeito Municipal.

http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/896127/lei-33-43-canoas-0

RESULTADOS DA LEI
Trajeto do Arroio Araçá por volta dos anos de 1900 (o mapa foi virado para facilitar localização)...
 ...e o trajeto do Arroio Araçá nos dias atuais, na área de divisa entre os Bairros Rondon, Centro e Nossa Senhora das Graças.
Os círculos coloridos destacam as ruas, em relação ao arroio Araçá, em ambos os mapas.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Arroio Araçá e a História de Canoas II


Ao longo dos anos, a medida que a cidade ia crescendo, o arroio foi perdendo sua importância, pois foram sendo alteradas suas características (Lei 33/1943). A composição fotográfica acima ilustra alterações. Várias características anteriores a esta situação apresentada, do arroio na Inconfidência, ainda podem ser vistas na Cidade Nova - Bairro Rondon. Muitos canoenses não conhecem o Araçá, por isso o Projeto do Rio Guri nasceu, com o objetivo de contar a sua história, montando seus pedacinhos, como num quebra-cabeça, por três razões:

quinta-feira, 8 de março de 2012

Arroio Araçá e a História de Canoas I

Neste dia 08 de março postamos mais uma curiosidade do Arroio Araçá na história de Canoas. Nada que possamos nos orgulhar, mas uma significativa lembrança pela representação da data.
08 de Março - Dia Internacional da Mulher.
A todas as cuidadoras da Água
(22 de março - Dia Mundial da Água)
e a todas as integrantes do Projeto do Rio Guri,
nossa homenagem.